Pois é, caro(a) leitor(a). Trinta e três mil quilômetros foi o total que já rodei desde o meu último post aqui no Blog. Desses, trinta mil foram em estrada. E isso já faz pouco mais de um ano. Me desculpem pela demora em escrever. Em abril do ano passado, eu relatei a primeira viagem que fiz entre São Paulo e Brasília. No último final de semana, fiz a décima segunda viagem com o mesmo itinerário. E, há cerca de 3 semanas, fui de Brasília à Piçarras, em Santa Catarina, perfazendo 1.600 quilômetros em cada trecho. Sempre com meu Chevrolet Bolt, um carro 100% elétrico.

Vamos às novidades e aos fatos relevantes que ocorreram nessas viagens entre Brasília em São Paulo e entre Brasília e Piçarras:

Agora, temos um carregador rápido de 50 kW em Uberlândia. Mais uma vez, iniciativa da Alsol Energias Renováveis, do grupo Energisa, e que é associada à ABRAVEi. Toda vez que carrego lá, faço questão de agradecer aos amigos Gustavo e Remington. E, aqui, também: valeu, dupla!

Alsol e o novíssimo carregador rápido de 50kWh com plugues CCS 2, CHAdeMO e Tipo 2 (AC).

Na minha primeira viagem com o Bolt, fui ultraconservador para conseguir ampliar ao máximo a autonomia do veículo: calibrei os pneus (frios) com 50 libras, não usei o ar-condicionado em praticamente nenhum momento, e rodei como uma vovozinha fazendo autoescola. Fiquei tão confiante, que fui relaxando os cuidados e tentando melhorar o tempo e conforto da viagem. E, na terceira vez em que fui de São Paulo à Brasília, acabei tendo que pedir uma ajuda ao pessoal do posto Caxuxa II, já no município de Uberaba, que me disponibilizou uma tomada de 32A e 220V para meu carregador portátil de 7kW. Sem essa carga, faltariam cerca de 30 quilômetros para eu chegar em Uberlândia, no porto seguro da Alsol. Aqui, também, meu muitíssimo obrigado ao pessoal do Caxuxa II.

Gato oficial: pessoal do posto Caxuxa II me tirou do enrosco.

Descobri que, se pegar longos trechos na estrada e mantiver uma velocidade de até 110km/h, o uso do ar-condicionado representará um consumo bem baixo. Algo em torno dos 3%. Essa dica foi do parça (ou seria Barsa?!?), Clemente. E tornou minhas viagens muito mais confortáveis desde então.

Em outro momento de sufoco na estrada, desta vez com dois caronas, reduzi a velocidade para uns 70 km/h. E isso faz mágica com a autonomia. Curiosamente, o sufoco aconteceu novamente em Uberaba. Mas, em minha defesa, a culpa foi de um dos caronas que sugeriu um “atalho” na saída de Ribeirão Preto. De fato, há um atalho….para evitar pedágios! Mas ele aumenta o trajeto em mais de 30 quilômetros. E era com essa margem de 30 quilômetros que eu estava contando quando planejei seguir pela Anhanguera pagando pedágio.

Neste trecho da Anhanguera, recentemente, a EDP inaugurou carregadores ultrarrápidos, de 150kW. Ficam nos postos da rede Graal em Pirassununga (Graal Coral) e Limeira (Graal Topázio). E também inaugurou carregadores idênticos em Registro (Graal Buenos Aires) e Pariquera-Açu (Graal Petropen), ambos na rodovia Regis Bittencourt. Em cada local há o carregador ultrarrápido (DC) com plugues CCS tipo 2 e CHAdeMO. E mais dois carregadores semirápidos (AC) de 22kW. Todos os carregadores estão mapeados no APP da EDP Smart. A carga deve ser liberada pelo aplicativo ou pelo cartão da EDP Smart. Dica: o cartão da ABRAVEI ou qualquer outro cartão RFID de 13,56MHz, padrão Mifare, também serve. Mas isso é só por enquanto, pois a EDP deve começar a autenticar o usuário em breve. Em teoria, o APP mostra se os carregadores estão online e e em uso ou não.


Já na viagem de Brasília à Piçarras, acompanhado da minha mulher, parei no posto Graal 56, na rodovia dos Bandeirantes em Jundiaí. E conheci o Murilo, também associado da ABRAVEI. Ele estava com seu BMW i3, carregando em corrente contínua (DC, plugue CCS). Expliquei que ainda seguiria viagem para SC no dia seguinte cedo e combinamos de carregar simultaneamente: ele na opção semirápida e eu na rápida. Ao tentarmos fazer isso, o carregador desligou. Um disjuntor dele caiu. E o gerente do posto não tinha a chave do gabinete do carregador para abrir o equipamento e religar o disjuntor. Mancada. Desculpe, Murilo, mas já tive a oortunidade de carregar simultaneamente no passado e nunca aconteceu isso.

Saí de lá com uns 80 quilômetros de autonomia e decidido a carregar na sede da ABB. Mas, já era noite e a sede da ABB, numa noite de sábado, é um lugar bem escuro e com pouco movimento. Ainda que o local conte um vigia na portaria do local, não me senti seguro. E liguei para a concessionária da Porsche, Stuttgart, que fica na Vila Olimpia e que possui com um carregador ultrarrápido de 250kW praticamente na calçada da loja. Fui atendido, mesmo fora do expediente. Expliquei minha situação e o rapaz da concessionária prontamente se ofereceu para remover as correntes que bloqueiam o acesso e me deixar carregar. Dito e feito: uma gentileza sem tamanho que me permitiu, em cerca de 50 minutos, obter a carga necessária para poder seguir viagem, no dia seguinte cedo, até o posto Graal Buenos Aires, na rodovia Regis Bittencourt.

No dia seguinte, lá fomos nós. Com a benção de termos a descida da Serra do Cafezal, foi bem tranquilo chegar ao Graal Buenos Aires. Mas o carregador rápido estava fora do ar. De acordo com o Alessandro, gerente do local, havia queimado uma placa do equipamento. Aqui vale um comentário sobre o APP da EDP Smart: como todo novo sistema, há um período de ajustes. E, No APP da EDP, tanto o carregador do Graal Buenos Aires, como o do Graal Petropen, estavam offline. Ou seja: eu não tinha como saber se estavam ocupados ou mesmo funcionando. Assim, o Alessandro gentilmente ligou para seu colega do Petropen que confirmou que o carregador estava ok. E estava mesmo.

Ao carregar no Petropen, que fica em Pariquera-açu (pouco depois de Registro- SP), calculei que poderia sair de lá com uns 90% de carga e ainda ter uma sobra de 50 a 60 quilômetros ao chegar no nosso destino: o posto Sinuelo, na BR-101 em Araquari, que conta com um carregador rápido de 50kW da CELESC. E saímos com cerca de 92%. Na subida da serra a caminho de Curitiba, cheguei a ter um déficit na autonomia prevista de 30 quilômetros em relação à distância que faltava para chegar ao destino. Mas bastou começar a descida de serra rumo à Santa (e bela) Catarina que a autonomia foi aumentando, aumentando e chegamos no posto Sinuelo com 60 quilômetros de sobra. Estou ficando bom nos cálculos.

Deixamos o Bolt carregando e fomos jantar. Na volta, encontro um Porsche Taycan, atravessado, mas não me bloqueando, carregando em corrente alternada. Por sorte, o carregador da CELESC não desligou, como o do Graal 56. Esperei um pouco para conhecer o proprietário do Taycan. E, eis que surge o Amaral. Deixei um cartão meu da ABRAVEI para ele. Futuramente, conversaríamos e eu explicaria a ele que o seu carro tinha uma porta CCS e que poderia carregar muito mais rápido. Amaral, teimoso, você me deve um chopp por isso.

Após passar a semana em Piçarras, era o momento de voltar à Brasília. No dia 15 de maio, sábado, minha mulher decidiu ficou na praia e voltei sozinho. Como tinha recém virado os 30 mil quilômetros no odômetro do Bolt, resolvi fazer a revisão obrigatória na Metronorte, concessionária Chevrolet, em Joinville. Dica do nosso associado, Eloir. E fui muito bem atendido. Mais uma vez, não fiz alinhamento e balanceamento, pois não havia nenhum tipo de desgaste irregular dos pneus. Mas fiz o rodízio dos pneus. E, desta vez, tive que pagar pela revisão. Um absurdo: R$ 212,00 pela troca do filtro do ar…..condicionado. Absurdo é ironia, claro. Nas duas primeiras revisões, feitas na concessionária Carrera, também tive um ótimo atendimento (até com excesso de proatividade, quando o mecânico colocou graxa nos prisioneiros de roda) e não houve cobrança.

Como voltei sozinho, resolvi encontrar o amigo e mestre Zen…o. Para ficar claro. Ele chama-se Zeno. Mas é tão calmo, que poderia ser Zen mesmo. O Zeno é um dos pais, senão pai e mãe ao mesmo tempo, da maior eletrovia do Brasil e que existe há três anos: a eletrovia da COPEL. Com 12 carregadores DC de 50kW, a eletrovia da COPEL corta o estado do Paraná de leste a oeste, ligando Paranaguá a Foz do Iguaçu e com distâncias não superiores a 100 quilômetros entre um eletroposto e o próximo. Combinamos um encontro na sede da COPEL e, adivinhem?!? Overbooking nos carregadores! Mas, isso me permitiu conhecer mais usuários de veIculos elétricos: o Felipe, que também atua como motorista de aplicativo com um JAC iEV 40, assim como nosso associado Thiago e seu Chapolim (iEV40), e o Lucas, da Ouro Verde, empresa que tem um Nissan Leaf na frota e, quem sabe, vai oferecer aluguel de veículos elétricos. Em Curitiba, mais uma vez, o Zeno me provou que também é autoridade em gastronomia. E me levou para almoçar uma deliciosa feijoada num restaurante da cidade.

Cena que será cada vez mais comum nos próximos 3 a 5 anos.


A impossibilidade de saber se os carregadores do Graal Petropen e Graal Buenos Aires estavam disponíveis me deu um sustinho na volta de Piçarras para São Paulo, quando já saí tarde de Curitiba após o almoço com o Zeno. Entrei no posto Petropen e tinha um Nissan Leaf carregando. Nem quis testar se o carregador aceitaria duas cargas simultâneas em corrente contínua, pois o Bolt e o Leaf carregam, respectivamente, em 55 e 50 kWh em carga rápida. Ou seja, para um carregador de 150kW, seria uma tarefa fácil. Segui direto para o Graal Buenos Aires, 18 quilômetros adiante, sentido norte. E, chegando lá, o carregador rápido estava ainda estava quebrado. Lembram que havia queimado uma placa? Na ocasião, conheci o Eduardo, que também é motorista de aplicativo com um JAC iEV20, e estava com a família indo para São Paulo. Ele estava carregando em um dos carregadores semirápidos, esses sim, disponíveis. E sua esposa havia conhecido os donos do Leaf. Pelo que entendi, quando se depararam com o problema no carregador do Graal Buenos Aires, deixaram o Leaf no local e pernoitaram na região. No dia seguinte, ou seja, o dia em que eu estava viajando, levaram o Leaf até o Graal Petropen. Como a esposa do Eduardo tinha o contato do pessoal do Leaf, ligou para eles, contou que eu estava indo à São Paulo e não teria como seguir sem carregar, e eles disseram que já estavam terminando a carga.

Voltei para o Graal Petropen e conheci essas duas figuras sensacionais de Araucária, PR: o Everton e o Felipe. São irmãos. E a família, com esse Leaf novíssimo, passou a ter 4 veículos elétricos. De fato, após uma meia hora de papo, a carga do Leaf acabou. Antes disso acontecer, eu tentei carregar simultaneamente meu carro, já que o Leaf utiliza o plug CHAdeMO, um dos dois plugues de carga rápida do equipamento. Ao conectar o plugue CCS no Bolt, o carregador não deu mensagem de erro. Mas, não conseguiu iniciar a carga. Não sei se é uma questão de configuração do equipamento ou de insuficiência de rede elétrica.

Ter um carro elétrico é fazer amigos sempre.


Enquanto carregava com o CCS, chegou mais um veículo elétrico. O BMW i3 do João. Mas, ele não quis esperar eu terminar de carregar, pois não precisava. Mas eu não tinha opção: teria que obter carga suficiente para pegar minha filha na cidade de São Paulo e, depois, chegar ao Graal Topázio, em Limeira. O João carregou um pouco em AC e foi embora antes de mim. Quando eu atingi 95% de carga na bateria, segui viagem. Apanhei minha filha e fomos para Ribeirão Preto, onde pernoitamos no Hotel Ibis e deixamos o Bolt carregando no wallbox do Ribeirão Shopping durante a noite. No dia seguinte, carregamos na Alsol, em Uberlândia, enquanto almoçamos. E fomos direto à Brasília, sem maiores dificuldades.

Mais um para carregar no Graal Petropen.


Minha filha ficou comigo nas duas semanas seguintes. E, então, levei-a de volta à São Paulo, no último domingo, 30 de maio. Desta vez, seria minha primeira viagem entre Brasília e a capital paulista feita num só dia com um tempo bem próximo ao de um carro à combustão: foram 14 horas e 10 minutos de porta a porta.

Saímos de minha casa, em Brasília, às 4h13min com 100% de bateria. No dia anterior, instalei na minha vaga uma tomada industrial para ligar meu carregador portátil de 7kW. E carreguei a míseros 3,7kWh durante a noite. Afinal, quanto mais lenta a carga, melhor para a vida útil da bateria de alta tensão do veículo.

Como minha filha conseguiu tirar um bom cochilo, e perdeu o nascer do sol, passei direto pelo restaurante Sonho Verde, na BR 050, que conta com um carregador tipo wallbox da ABRAVEI (sinto muito, Marcio e Nilva, mas não quis acordar a pimpolha), e fomos direto à Uberlândia, Chegamos lá pouco depois das 9 horas. E, enquanto tomamos o café-da-manhã, deixei o carro carregando na Alsol. Mas, apenas o suficiente para chegar com folga no Graal Coral, em Pirassununga, distante 380 quilômetros.

Saímos umas 10h45min de Uberlândia e chegamos no Graal Coral por volta das 16h. Logo após chegarmos, apareceu um Volvo XC 40 híbrido plug-in. E, como o proprietário não tinha o APP da EDP Smart e nem um cartão RFID, orientei-o a baixar o APP e cadastrar-se na EDP Smart e liberei a sua recarga com meu cartão da ABRAVEI.

Carregamos até 82% durante um almoço tranquilo, com direito a duas partidas de Uno. E, se não fosse um trânsito bem pesado que iniciou exatamente na altura do Graal 56, na rodovia dos Bandeirantes, teríamos feito a viagem em 13 horas e pouco.

Enfim, este foi um breve relato sobre uma das maiores dificuldades de quem tem um carro elétrico no Brasil: fazer viagens longas. No meu caso, eu sou duplamente privilegiado. Tenho um carro elétrico com uma das maiores – senão a maior – autonomias disponíveis no Brasil. E conto com carregadores rápidos no caminho que costumo fazer com frequência. Agora, inclusive, até o sul do país.

O mais incrível é que, em talvez uma década, estes apuros e falta de infraestrutura de recarga deixarão de ser estórias, para virar história. Sim, eu sei que a palavra “estória” não se utiliza mais. Mas, vocês entenderam. 

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