Veículos Elétricos: Uma Demanda Latente

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O novo e o velho: ambos revolucionários em suas épocas.

No último sábado, 20, tive a oportunidade de participar do 14º Encontro de Veículos Antigos de Boituva. Eu e o Leonardo, amigo e membro da ABVEi, estivemos lá expondo nossos carros elétricos.

Perdi a conta de quantas pessoas pararam para nos perguntar sobre os veículos. Foram dezenas, talvez mais de uma centena. E, em comum, todas se surpreenderam com a economia que um VE traz em relação aos carros a combustão, bem como o fato de que cada usuário tem seu próprio “posto de combustível” na tomada de sua casa ou escritório. Aliás, todos com quem conversamos se mostraram admirados pelo fato de termos carregado nossos carros durante o evento.

Esta é a segunda ou terceira vez que o Leonardo participa de um evento automobilístico expondo seu i3. Foi a minha primeira. E nosso objetivo é, justamente, desmistificar a tecnologia para ir criando, pouco a pouco, uma consciência na sociedade sobre veículos elétricos e as vantagens que eles possuem.

Ficou muito claro, também, que existe uma demanda latente de veículos elétricos. Creio que vivemos uma situação semelhante à do surgimento do primeiro iPhone. Antes de conhecerem a tecnologia disruptiva que a Apple trouxe com a inédita interface touch screen do seu smartphone, seria impossível para os consumidores manifestarem o desejo de terem um produto como o iPhone.

E o mesmo acontece com veículos elétricos: sem conhecimento sobre o assunto, o consumidor não tem a real dimensão do que é ter um carro ou outros veículos elétricos. E alguns mitos que surgiram nas conversas com o público do evento caem por terra quando conversamos. Vejamos:

Mito 1, autonomia: mais de 90% do uso de um carro elétrico é em deslocamento urbano. E a autonomia dos veículos disponíveis, tanto no mercado nacional, quanto internacional, atende essa demanda;

Mito 2, falta de infraestrutura de recarga: tem a ver com o item acima. E precisamos identificar que há dois tipos de estações de recarga: a rápida e a semi-rápida. O segundo tipo abrange os carregadores que existem em shopping centers, posto de gasolina e redes de supermercado em várias capitais e regiões metropolitanas do Brasil. São muito úteis mas, eventualmente, carregar o VE em uma tomada em casa ou no trabalho cumpre a mesma função. Já o caso da estação de recarga rápida, essa sim, é imprescindível para que deslocamentos que ultrapassem a autonomia das baterias dos veículos sejam feitos em modo 100% elétrico. Esses eletropostos de carga rápida, como são chamados, são raríssimos no Brasil, principalmente se considerarmos os que apresentam mais do que um padrão de plug para recarga. Creio que não existam nem cinco. E eles estão em estradas ou próximo a elas, como esperado.

Mito 3, preço: ao comentar sobre a diferença de custo entre as recargas de um veículo elétrico e o abastecimento com combustível, bem como a expectativa de menor manutenção pelo fato de haver muito menos peças móveis num VE, muitas pessoas se mostraram dispostas a ter um carro elétrico, mesmo que custasse um pouco mais do que um carro normal. Principalmente, se o valor da prestação de um financiamento for acessível, levando-se em conta a economia que o usuário teria em relação ao gasto com combustível. Mesmo os preços dos BMW i3, que são “salgados” para a maioria da população por se tratarem de veículos de uma marca premium, não chegaram a assustar.

Mito 4, sustentabilidade: não é o fator que faria os veículos elétricos saírem do “topo da pirâmide” dos early adopters para atingirem outras camadas de consumidores. Mas, se o preço de um carro, moto ou outro veículo elétrico for razoável em comparação ao de um similar à combustão, o fato de não poluir é um estímulo a mais para a compra. Principalmente, com a perspectiva do consumidor gerar sua própria energia por meio de usinas solares fotovoltáicas em sua residência. O Leonardo, por exemplo, já gera mais do que consome para recarregar seu veículo.

Minha conclusão é a de que existe demanda para um carro elétrico com preço de até R$ 100 mil, que possa rodar pelo menos uns 160 Km e atinja uma velocidade semelhante a de um carro normal (pelo menos 120 Km/h para se rodar em estradas com este limite de velocidade). Mas, além de um carro acessível, outros dois fatores ajudariam muito a alavancar as vendas mesmo de veículos mais caros: linhas de crédito de mais longo prazo, com o objetivo de reduzir o valor da prestação, fazendo com que a economia obtida em relação à conta de combustível torne o financiamento ainda mais viável para o bolso do consumidor; e a disseminação de informações sobre os veículos elétricos, criando uma opinião favorável da população em geral.

Evidentemente que, se houver incentivos fiscais para importação e/ou aquisição de veículos elétricos, como acontece em países desenvolvidos, tudo fica mais fácil. Porém, mesmo sem esses incentivos, é possível alavancar as vendas de VEs no Brasil dentro das regras atuais. A ABVEi já começou a atuar em todas as frentes que exercem influência sobre o mercado (governo, iniciativa privada e sociedade). E é por isso que acredito, realmente, nas frases de efeito que usamos nos banners da nossa associação. Em especial, a que diz “carro elétrico: em breve numa tomada perto de você”.

3 comentários sobre “Veículos Elétricos: Uma Demanda Latente

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