Adeus, Range Anxiety.

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Fonte: http://learn.pechnol.com/2018/02/24/electric-vehicles-range-anxiety/

Perdi o medo de ficar sem bateria, o que os gringos chamam de Range Anxiety. De vez e por meio de uma medida radical: percorrer o maior trecho em modo 100% elétrico desde que comprei meu i3.

O destino era o XIII Encontro dos Amigos do Carro Antigo de Jaguariúna, no dia 21 de julho, sábado. Junto com meus colegas da ABRAVEI, Leonardo, Edgar e Brandão, conquistaríamos mais corações e mentes para a mobilidade elétrica, como de fato o fizemos. O Leonardo, que mora em Jaguariúna, foi quem acertou nossa participação no evento, que fez um belo contraponto entre o novo e o antigo, e assegurou que teríamos tomadas 220V no local para recarregar nossas viaturas parcialmente.

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A partir da esquerda: Brandão Edgar, Leonardo e eu. Esta turma veste a camisa mesmo.

Carreguei totalmente a bateria na noite anterior e decidi que iria encarar a empreitada no osso. Ou melhor, na bateria, sem recorrer ao REx em hipótese alguma. O tal REx é um motorzinho auxiliar de 650cc que, com um tanque de nove litros de gasolina, serve como uma reserva estratégica de autonomia, gerando energia elétrica suficiente para o carro  percorrer mais de 100 km adicionais. Para ter certeza de que não sucumbiria à tentação de usar o REx, mantive o tanque vazio do jeito que sempre fica no meu dia-a-dia de uso urbano do carro.

No sábado de manhã cedo, inseri o endereço do evento no Waze. O local ficava a 133 km de distância de acordo com o app. No meu carro, um momento de apreensão: o “adivinhômetro” da autonomia do carro me avisava que ela seria insuficiente. Faltariam cerca de 2 quilômetros para chegar ao destino. Mas, o adivinhômetro tem esse nome por um motivo: ele projeta a autonomia naquele momento levando em conta a forma como conduziu o carro até então, o que inclui trânsito, uso do ar condicionado, velocidade e topografia.

Esperançoso de que o adivinhômetro mudaria de opinião durante o trajeto, e certo de que teria o guincho do seguro à disposição em caso de emergência, parti. Já no final da Marginal Pinheiros o adivinhômetro “empatou” minha autonomia com a distância ao destino. E senti um certo alívio. Ao entrar na Rodovia dos Bandeirantes, resolvi manter a velocidade de 100 km/h, embora o limite da pista seja 120 km/h. Pouco depois, o Waze me mandaria pegar a Rodovia Anhanguera, em que mantive os mesmos 100 km/h. Ar condicionado desligado, ultrapassagens tranquilas, e minha autonomia foi aumentando ou se mantendo estável, ao mesmo tempo em que a distância para o destino diminuía. Nas fotos abaixo dá para perceber que com cerca de 3/4 da bateria a autonomia prevista era de 91 km mas, com 50%, ainda era de 64 km.

No caminho, o Graal do Km 67, que conta com um eletroposto de carga rápida. Respirei fundo, desviei o olhar e resisti à tentação – e a coisa mais sensata a se fazer – de entrar no Graal e dar uma carga por, pelo menos, uns 10 minutos.

Bom, se o Graal já era, o negócio foi assumir o risco e lembrar que, se minha autonomia não fosse suficiente, além do guincho da seguradora, eu tinha o conforto de não poder ser multado por “pane seca”, certo?  😉

Seguindo viagem, a autonomia me garantia que chegaria. As fotos estão tremidas porque, obviamente, eu estava dirigindo. Mas nas legendas é possível ler qual era a distância a ser percorrida e a autonomia informada.

Cheguei na cidade e, voilá, num piscar de olhos já estava na entrada do evento. E com exatos 10% de bateria remanescente.

Depois de cumprimentar os amigos, minha primeira providência foi plugar minha quilométrica extensão na tomada disponibilizada para nossos carros elétricos e garantir autonomia suficiente para a volta. Nem em sonho eu pensava em ter autonomia para chegar em casa, pois a carga em tomada 220V é leeeenta:

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A idéia era ter carga suficiente para chegar até o posto Graal do km 56 da Rodovia dos Bandeirantes, que também conta com um eletroposto de carga rápida. E foi o que consegui lá por volta das 17h e pouco. Aliás em teoria, consegui até muito mais: 70,5% de carga e 105 km de autonomia, sendo que o eletroposto ficava a pouco mais de 70 quilômetros de distância. BICO!!

Para resumir a participação no evento, centenas de pessoas viram de perto nossos veículos. Só eu conversei com dezenas delas. De quebra, fomos convidados para um evento semelhante em Amparo. Mas, finalmente, chegou a hora de ir embora.

Tinha autonomia mais que suficiente para chegar ao posto Graal, certo? Não precisava dirigir com o “vovô mode on”, certo?. Então, andei a 110 km/h onde esse limite era permitido, fiz ultrapassagens vigorosas, rodei a 120 km/h onde podia. E liguei o ar condicionado em certo momento. De repente, olho o painel do carro e a diferença entre a distância até o posto e autonomia prevista era mínima. Quando me dei conta, não tinha muito mais o que fazer: sete quilômetros, SETE apenas, de autonomia disponível. E o posto a uns 10 quilômetros de distância. Resolvi acionar o “bisavô mode on” desta vez e passei a rodar os últimos quilômetros que faltavam a 90 por hora. Apesar da baixa autonomia prevista, a bateria se mostrava superior à quilometragem, o que me deixava até certo ponto tranquilo. Explico melhor: a bateria de 22 kWh do meu i3 deve, na prática, render mais do que um quilômetro por kW em condições normais de condução. Pelo menos, enquanto não perder uns 20% da sua capacidade. E eu tinha um percentual de bateria superior aos quilômetros que faltavam. Entretanto, como vinha com uma tocada mais esportiva ao volante do carro, o adivinhômetro previa que, dessa maneira, eu iria zerar minha autonomia rapidamente. Rápido mesmo, pois cheguei no posto com 2 km de autonomia remanescentes no painel do carro, embora com 3,5% de carga, pois não houve tempo e distância suficientes para o adivinhômetro refazer os cálculos. Isso foi meu recorde. De porralouquice e de uso exremo da bateria do meu carro.

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Viagem com emoção ou sem? Com certeza, COM EMOÇÃO.

Carro plugado no eletroposto, carregando com o cabo CCS, sigla para o melodioso Combined Charge System que, em outras palavras, é a carga rápida em 50 kW/h em corrente contínua. Esse padrão de recarga já atinge até 350 kW/h em alguns projetos conduzidos pela Porsche. Isso é muita eletricidade. Mas, muita MESMO. Meu carro está limitado a 50kW/h “apenas”, mas que já permitem que eu tenha de 0% a 80% de carga em menos de meia hora. No meu caso, em 5 minutos e 12 segundos já tinha saído de 3% de carga inicial para 23%.

Morrendo de fome, aproveitei para comer um lanche e, indiretamente, pagar pela energia elétrica consumida em minha recarga. Vinte oito minutos após começar a recarregar, já tinha 87%. E alguns minutos mais que levei para me organizar no carro, já me fizeram sair do posto com 90% de bateria e mais de 100 km de autonomia recalculados. Isso era mais do que o dobro do que precisava para chegar em casa. E segui viagem admirado por ter me mantido firme no propósito de ir e voltar de Jaguariúna com emissão zero de poluentes e tendo perdido de vez qualquer medo de ficar sem bateria. Claro que isso só foi possível porque contava com esse eletroposto no caminho de volta e com a tomada no local do evento para uma recarga parcial. Mas ainda assim foi uma viagem com emoção garantida.

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