VW quer ser líder no segmento de carros elétricos

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Depois do “Dieselgate”, em que a Volkswagen assumiu ter manipulado o software de 11 milhões (!) de veículos a diesel para burlar testes de emissão, a montadora sentiu seus resultados caírem drasticamente. Uma das medidas para recuperar o terreno perdido é apostar pesado em carros elétricos.

Nos próximos 10 anos, a VW quer lançar nada menos do que 30 modelos elétricos. A matéria está aqui, no site da BBC (em inglês, sorry): http://www.bbc.com/news/business-36548893

Minha opinião é que a VW está fazendo um movimento de mestre neste xadrez que é o mercado automobilístico: ao investir em veículos elétricos da maneira como estão propondo fazer, a montadora ganha a simpatia de muitos consumidores e dissipa a “nuvem negra” da desconfiança e descrédito causada pelo escândalo do diesel. Belo case de comunicação. Ao mesmo tempo, tenta não dar ainda mais espaço para outras montadoras que estão mais ativas no desenvolvimento de carros elétricos.

É um investimento de risco? Considerando que a Tesla levantou quase U$ 400 milhões vendendo uma promessa, que é a reserva do modelo 3 para entrega a partir do final de 2017, me parece óbvio que existe uma demanda reprimida por este tipo de produto.

Espero que a VW tenha sucesso. Quanto mais carros elétricos no mundo, melhor.

PS: eu sou um dos que apostaram na promessa do Tesla 3. Não me decepcione, Mr. Musk.

Híbridos, elétricos e o rodízio em São Paulo

Entre agosto e setembro do ano passado, a prefeitura de São Paulo tomou duas medidas visando a incentivar a venda de carros híbridos e elétricos: concedeu desconto de 50% no IPVA e isentou os veículos do rodízio veicular. Confira aqui.

E aqui temos a primeira pegadinha. O IPVA é 50% da prefeitura e 50% do governo do estado. Quando a prefeitura anuncia que dá “desconto de 50% no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)”, você pode entender – como eu – que do total do seu IPVA, metade será abatido. Por exemplo: IPVA igual a R$ 1.000. Com 50% de desconto, você paga R$ 500.

Atenção: em um novo post retifico e esclareço a questão da devolução da quota-parte do IPVA. Leia mais aqui.

Nananinanão. A prefeitura deu desconto sobre a sua parte e não sobre o imposto total. Logo, o desconto de 50% é sobre a metade do imposto que pertence à ela. Ou seja, usando o exemplo hipotético acima, sobre os R$ 500. Assim, R$ 1.000 menos R$ 250 (50% sobre a metade que cabe à prefeitura), dá R$ 750 ou um IPVA total de R$ 3% ao invés dos 4% que se paga para veículos emplacados na cidade de São Paulo.

É um desconto louvável, mas de 25% sobre o valor total do IPVA. A boa notícia: no decreto original do prefeito, o desconto se aplicaria apenas a veículos cujo valor máximo fosse de R$ 150 mil. Mas, mesmo custando mais, o i3 foi beneficiado.

(Prezado governador do estado, bem que Vossa Excelência poderia fazer o mesmo, hein?!?)

Um pouco frustrado pelo desconto de 50% sobre 50%, mas conformado, chegou a hora de verificar a isenção  do rodízio veicular. E aí houve desencontro de informações. Primeiro, um vendedor da Autostar, que não foi o que me atendeu, me disse que a equipe de vendas não estava mais falando em isenção de rodízio como argumento de venda, pois isso não estaria acontecendo na prática.

Pedi ao meu vizinho e despachante, Milton, que já emplacou quatro carros meus, que verificasse essa questão junto à CET. Demoraram para responder e a resposta que ele recebeu foi, no mínimo, esdrúxula: a prefeitura não tinha como cadastrar veículos elétricos e híbridos como isentos de rodízio. Assim, eu teria que tomar as multas de rodízio e recorrer, tendo como certo que meus recursos seriam deferidos.

Achei um absurdo e, por sugestão da minha super jornalista e personal PR – e também esposa – Cintia, entrei em contato com a editoria do Jornal do Carro, suplemento do Estadão. Comentei o fato na segunda-feira e a editora-assistente que me atendeu prometeu apurar e dar o retorno sobre se esse assunto seria uma pauta. Dois dias depois, recebo o retorno abaixo do Estadão, preservando os nomes dos meus interlocutores:

Sr. Rodrigo, boa tarde!

A xxxx, nossa editora-assistente, me passou o seu contato. Apuramos junto à Prefeitura de São Paulo que os carros elétricos são identificados automaticamente pelo sistema de multas e não sofrem autuação, ou seja, não levam multas referentes a descumprimento do rodízio municipal – conforme resposta oficial encaminhada abaixo.

Permanecemos à disposição.

Atenciosamente,

xxxxxxx

E aqui está o retorno oficial da prefeitura ao Estadão, que o repassou a mim:

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Como podemos ver, oficialmente tudo está funcionando bem. Amanhã, dia do meu rodízio, vou colocar à prova. Passarei lépido e fagueiro, como diriam nossas avós, por alguns radares inteligentes. E, em breve, teremos um novo post sobre o assunto rodízio veicular. Ou, não.

Por fim, fica aqui meu agradecimento ao pessoal do Estadão pela agilidade na apuração e atenção dedicada ao meu caso. Sou assinante do jornal, ainda mais convicto de que isso vale a pena.

Autonomia e Automatismos

Voltei ao país no sábado pela manhã. E, sem dormir ou descansar, peguei minha mulher e filha e fomos passar o dia numa chácara de amigos em Ibiúna. Festa junina pra lá de boa, com churrasco, doces típicos, vinho quente e bingo.

Durante a semana em que estive fora, monitorei o estado da bateria do i3 pelo APP. Ela permaneceu em 71% todo o tempo. Não baixou nada. Também tinha uma autonomia de uns 90Km usando o Rex (Range Extender, motorzinho de 600 cc que gera energia para as baterias e garante uma autonomia extra).

O fato é que tinha, no total, uma autonomia de pouco mais de 200 km. E, ida e volta, dariam uns 140 Km. Estava um pouco apreensivo para saber se esse número era confiável. E, descobri que a realidade é melhor do que a estimativa: usando o modo ECO PRO+, pois não precisava de ar condicionado e nem passar de 90 km/h, que são algumas das limitações desse modo de condução, o i3 acabou regenerando bastante energia no trajeto devido às frenagens e descidas. Também optei por usar o Rex todo o tempo até chegar lá, preservando a carga da bateria próxima a 70% e consumindo ¾ do combustível disponível.

Pela primeira vez, tive a oportunidade de usar o Piloto Automático Adaptativo (ACC) em um trecho de deslocamento longo, que começou na cidade e continuou pela estrada. O recurso é muito útil: você define a velocidade máxima e, ao ligar, ele mantém a distância para o carro da frente. Há 4 regulagens de distância. Se o carro da frente frear, o i3 freia. Se acelerar, ele acelera. Diferente do piloto automático tradicional, que não funciona abaixo de 30 Km/h, o ACC funciona com o mínimo movimento do carro, até mesmo um mísero 1 km/h. Explico melhor: ao longo de uma rodovia local em Ibiúna havia muitas lombadas. Ao seguir o carro da frete, o i3 freava nas lombadas e, mesmo com 1 km/h, ele retomava a aceleração e mantinha a distância do carro da frente quando esse acelerava novamente. Se, por acaso, o i3 chegar a parar totalmente, basta colocar o veículo em movimento e apertar o Resume no volante que o i3 vai atrás do carro da frente, observando sempre a velocidade máxima estabelecida. É quase um carro semiautônomo. Ao condutor, resta controlar o volante, pois freio e aceleração ficam a cargo do veículo.

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Piloto automático adaptativo (ACC) em ação: se o câmbio automático fazia você esquecer que tinha o pé esquerdo, o ACC faz você esquecer que também  tem o pé direito.  🙂

Chegando à chácara dos nossos amigos, pedi para usar uma tomada 220V que eles têm na pia da cozinha para a torneira elétrica. Levei um rabicho/adaptador com tomada fêmea de 20A. Uso uma extensão bem robusta, começo a dar carga e…o disjuntor desarma. Ligamos o disjuntor e ele desarma de novo. Estava inconsolável até que meus amigos se entregam: estavam me passando um trote, desarmando manualmente o disjuntor.  🙂

Após o susto, deixo o carro carregando, enquanto mostro a novidade aos amigos, todos jipeiros, e apaixonados por carro também. A um certo ponto da conversa, depois de uns 10 a 15 minutos, o i3 começa a piscar as setas e dar um sinal sonoro. Algo estava fora do normal. Nem procurei pelo manual do carro e lembrei que tinha deixado a opção de carregar na tomada sempre no modo máximo. Há três opções: máximo, reduzido e baixo que fazem o carro consumir, respectivamente, 12A, 9A e 6A. Imaginei que usar o máximo numa tomada de 10A deveria ser a causa. Mudei a regulagem para reduzido e tudo voltou ao normal. O carro ficaria carregando numa boa até atingir cerca de 82% de carga, quando a tomada foi requisitada para a torneira elétrica. Prioridades são prioridades: lavar a louça com água gelada, nem pensar.

Ao voltar para São Paulo, resolvi dar algumas aceleradas dirigindo no modo de condução Comfort. É impressionante o torque, que se traduz em arrancadas e retomadas de velocidade vigorosas. O i3 tem um ar futurista, que remete à tecnologia e não à performance. Mas quem acha que ele é xoxo, ilude-se. O carrinho é um foguete. Arisco ao pisar forte no acelerador. E, apesar dos pneus finos, faz curvas muito bem e é muito estável, “na mão” como dizem. Imagino que seja graças à combinação do baixo centro de gravidade proporcionado pelas baterias alocadas abaixo do assoalho com a boa largura da viatura. Depois de matar a vontade de acelerar, voltei a usar a razão, também chamada de modo ECO PRO+.

Optei por voltar à São Paulo usando o Rex para preservar a bateria. Cheguei com uma autonomia de cerca de 30 Km usando gasolina do Rex e mais 80Km da bateria. Ou seja: mesmo sem a recarga parcial feita na chácara, poderia ter ido e voltado com folga. Mas, resolvi abastecer. Com gasolina podium, pois tem a menos exorbitante adição de álcool: são 25% de álcool frente aos 27,5% das demais gasolinas. E ainda chamamos isso de gasolina (!). Entraram 8 litros, num tanque de 9l. Isso me deixou desconfiado. Apesar de estar rodando no ECO PRO+, alguém está enganado: a bomba do posto ou o carro. Se 1 litro permitisse rodar 30Km, o Rex forneceria uma autonomia adicional de 270 quilômetros. E isso non ecxiste, como diria o Pe. Quevedo. Acho que vou ter de trocar de posto de combustível.

PS: não resisti. Na terra do Tio Sam, comprei um i3 de controle remoto, em escala 1/14, por U$ 34.

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Carrinho R/C oficialmente licenciado, com tração traseira (e com diferencial) e acendimento dos fárois e lanternas. Muito legal e barato. Santa Amazon, Batman!

An Electric Baby is Born

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Product Genius Flavio me entregando o i3

Finalmente. Depois de mais de duas semanas em que entreguei meu carro como parte do pagamento e paguei a diferença, recebi meu i3. A demora trouxe um benefício extra, inesperado, mas muito apreciado: recebi de brinde um Wallbox, carregador de parede, Level 2, da BMW. Ao ser faturado em junho, fiquei elegível para a promoção do mês que contemplava o Wallbox. Esse equipamento leva menos do que a metade do tempo do carregador portátil que acompanha o veículo para cargas similares, afinal são 30A versus 12A. E custa mais de R$ 7 mil no Brasil. Obrigado, BMW. Em especial à Karen e Nanci.

Mas, vamos ao grande dia. Faturado na quarta-feira à noite, a Autostar me prometeu entregá-lo na sexta-feira seguinte às 10h. 9h50min estava eu lá na concessionária, de onde só sairia às 11h50min, pois o carro estava passando pelo processo de lavagem e cristalização da pintura. Com o acompanhamento do product genius da BMW, Flavio, até supervisionei um pouco do processo. O Eduardo, responsável pela limpeza cristalização, estava dando um talento especial no meu i3.

Como percebi que não sairia da Autostar antes das 11h, tratei de agilizar tudo o que pudesse. Fiz meu cadastro no sistema Connected Drive da BMW. Com esse cadastro, e um APP instalado no meu Iphone, sou capaz de monitorar a carga do i3, mesmo durante o carregamento, acionar os faróis e tocar a buzina remotamente (muito útil para pessoas que costumam esquecer a vaga em que estacionou o veículo), travar as portas e ,inclusive, programar o ar condicionado para ser ligado em um horário específico.

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Tela real do meu APP. Deixei o i3 carregando no trabalho. Em cerca de 2 horas, foi de 84% para 100% em uma tomada 220V comum.

Cadastro feito, mas o carro ainda passando pelo capricho do Edu, pedi ao Flavio para me mostrar os recursos do modelo num i3 do mostruário. E, depois, num carro de test drive para, entre outras coisas, ligarmos para o serviço de Concierge e aprender a usar os úteis recursos do piloto automático com “Siga-me”, que mantém a distância para o carro da frente, freando ou acelerando se necessário, e, também, o auto parking, que permite ao i3 estacionar sozinho. Esse último recurso é espetacular, mas fica a dica: cuidado ao estacionar em uma vaga com guia rebaixada. O carro pode acabar arranhando a roda na guia rebaixada, justamente porque sua altura é baixa e isso atrapalha a percepção da distância até a guia pelos sensores do veículo. Mas, não é um problema: basta monitorar pelo retrovisor e frear, se necessário.

Durante o passeio guiado com o i3 do test drive, novamente me surpreendi com seu torque e arrancada. Mesmo no modo de condução ECO PRO+, se você pisar no acelerador pra valer, o i3 salta na frente de qualquer carro. E isso é ótimo para uma manobra rápida muitas vezes necessária no caótico trânsito de São Paulo. A contrapartida: você vê o status de carga da bateria diminuir consideravelmente mais rápido.

Ainda sobre a condução o i3, é importante destacar que usar o acelerador é quase como acelerar um carrinho de autorama: se você tira o pé do acelerador, ele vai começar a frear devido ao sistema de regeneração de energia. Mas é fácil de aprender a nova dinâmica na condução. Com poucas dezenas de quilômetros rodados com meu próprio veículo, já estou craque e praticamente não uso mais o pedal do freio para uma condução em condições normais. Imagino que as pastilhas de freio devem durar muito mais do que os demais carros da BMW. Mas isso ainda é algo a ser confirmado.

Voltando à entrega do veículo, às 11h20min ele estava pronto para mim, ainda bem molhado da lavagem em algumas partes internas. Aprendi como carregá-lo numa das Wallbox disponíveis na Autostar. Aliás, esse carro é quase um vídeo game. Ao abrir a tampa das conexões para recarga que, nos modelos 2015 em diante vem com duas opções de “tomadas”, para carregadores tipo Trickle (o tipo que acompanha o carro. Trickle é gotejar em inglês. Deu para perceber que é lento, certo?) ou Level 2 com plug padrão EURO 2 e uma tomada para carregadores rápidos de corrente contínua (DC). Esses carregadores, sempre grandes com gabinetes geralmente monolíticos, conseguem a façanha de carregar 80% da bateria em até 15 minutos. Mas são para uso “comercial”, pois seu preço é alto e exigem uma bela instalação elétrica. Pelo que pesquisei, existe apenas um desses em São Paulo (e talvez no Brasil), que fica num posto da Rodovia dos Bandeirantes próximo à Jundiaí.

Ao espetar o plug do carregador na tomada do i3, ele acende uma moldura no bocal das tomadas, toda em led. E ela troca de cores: laranja, para informar que vai começar o carregamento e azul, acendendo de forma intermitente, para informar que o carregamento está acontecendo. Nesse momento, o i3 trava o plug na sua tomada para evitar que alguém o remova indevidamente. Uma vez terminado o carregamento, que pode ser feito a qualquer momento e com qualquer carga disponível na bateria, basta apertar o botão de destravar portas na chave do i3 que o led do bocal fica branco e você pode remover o plug do carregador com toda segurança.

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Detalhe da vaga para carros elétricos no Shopping Vila Olímpia. Todos os Shoppings da rede Multiplan em São Paulo têm estação de recarga com Wallbox. E não cobram…a recarga. Mas todas ficam na área do Vallet que custa R$ 29 a primeira hora e R$ 9 as demais  😦
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Nesta foto dá pra ver bem o led azul na moldura do bocal das tomadas.
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A primeira recarga já na vaga do prédio em que trabalho. Dá pra ver a tomada normal no lado esquerdo da foto.

Feito o aprendizado do procedimento de recarga, quase na hora de ir embora, o Flavio notou que a roda dianteira direita tinha dois riscos. Um bem fundo e perceptível. Outro product genius que nos acompanhava, o Eduardo (outro, não é o mesmo da lavagem) imediatamente prontificou-se a trocar todo o conjunto roda/pneu com outro de um i3 do mostruário. O Eduardo teve o cuidado, inclusive, de pegar um pneu do mesmo ano de fabricação do meu. Pelo atendimento nota 10, meu muito obrigado ao Eduardo e ao Flavio.

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Roda com risco, que foi prontamente trocada pela Autostar.

Agora, sim. Carro na mão, saio pra comemorar com o pessoal do trabalho, num almoço no sem-frescura, mas delicioso, restaurante Jucalemão, que fica pertinho da Autostar Brooklin. No pequeno trajeto de uns 2 Km, já deu pra sentir que o i3 vai fazer muita gente ficar com torcicolo. Impressionante o quanto ele chama a atenção. E não só pelas suas linhas futuristas, mas porque você não vê esse carro por aí. Por enquanto, é algo bem exclusivo. Espero que essa realidade mude. Não só para o i3, mas para carros de propulsão elétrica em geral.

Na volta ao trabalho, após o almoço, levei 3 colegas de carona. E todos os comentários foram de aprovação. Bom espaço para quem vai atrás, confortável, super silencioso. E, que som da Harman Kardon!!!

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Só alegria. Primeiro rolê com os colegas do trabalho.
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E com direito a selfie. Mas, isso, o i3 não faz pra você.  😉

Pra fechar o dia, vou à Autostar M para agradecer pessoalmente ao Fabio Campos pela paciência que teve comigo. Mais notícias em breve, assim que voltar ao Brasil, depois de uma trip de negócios alucinante da Dinamize na Florida.

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Santa paciência, hein, Fabio?!? Você é o cara!

 

Desconfiança natural (e má vontade)

Duvida

Antes de comprar o i3, certifiquei-me de que conseguiria carregá-lo em algum lugar prático: seja onde resido ou no local em que trabalho.

Na verdade, a idéia inicial era instalar o carregador de parede da BMW, Wallbox, em algum dos locais. E descobri que há alternativas semelhantes e consideravelmente mais baratas de carregadores Level 2, como são chamados o Wallbox e similares. Mas isso é tema para outro post.

O fato é que entrei em contato com o síndico do condomínio onde moro e com os administradores dos prédios em que eu e minha esposa trabalhamos. O prédio em que minha esposa trabalha tem, inclusive, uma certificação de edifício sustentável.

Após cerca de 3 semanas, duas boas notícias, embora parciais. E uma notícia ruim: 1) o prédio em que eu trabalho permitiu, desde o primeiro contato, que eu carregasse o veículo nas tomadas da garagem. Inclusive, prontamente substituíram uma tomada de 10A pela tomada de 20A que eu lhes forneci. Essa tomada é a mesma de três pinos, porém, com diâmetro um pouco maior (4,8MM ao invés de 4MM). Aquela mesma tomada desgraçada que seu novo microondas possui e que todo mundo usa com um benjamim ou outro adaptador de tomada, encaixado na marra,  numa tomada comum de 10A.  🙂  Aliás, agradeço ao Rafael, gerente do prédio, que foi sempre solícito. E eu sei que sou insistente, pra não dizer chato, quando quero alguma coisa.

2) Ontem, também recebi um retorno do Otávio, gerente do prédio em que minha mulher trabalha. Esse é outro indivíduo a quem agradeço bastante a colaboração e paciência comigo. E ele me deu uma boa notícia: irão instalar uma tomada de 20A em uma vaga que será destinada ao carregamento de carros elétricos.

A parte da desconfiança, título do post, é que ambos os prédios não autorizaram a instalação do carregador de parede. Mesmo com tudo feito às minhas custas e liberando para uso de outros usuários de veículos elétricos, ambos administradores me disseram que a determinação é acompanhar o quanto, de fato, o consumo do i3 representará na conta de luz do condomínio. Num primeiro momento, eventuais recargas não serão cobradas em nenhum dos locais. Mas, se o consumo for elevado, poderão vir a cobrar. Assim, se tudo der certo, quem sabe posso ter a autorização para instalar o carregador de parede no futuro. Como trabalho muito próximo à estação de recarga do shopping Vila Olímpia, ter ou não um carregador Level 2 onde trabalho deixou de ser tão importante.

3) Apesar de morar num condomínio com 11 torres e cujo terreno possui 100 mil metros quadrados, as garagens não possuem paredes. São apenas cobertas com telhas de policarbonato. Passei todas as informações sobre dimensão e consumo do Wallbox e outros carregadores Level 2 ao síndico do condomínio. Ele encaminhou o assunto à subsíndica da minha torre, após uma consulta a sua assessoria jurídica, e lá fui eu pedir permissão para instalar o carregador a partir do meu quadro de luz. A idéia era usar uma das vagas de carga e descarga, que ficam ao lado de paredes, e em horários pré-determinados. Mas, como as vagas têm tolerância de apenas 15 minutos de permanência, a subsíndica descartou a hipótese, já antecipando que isso quebraria uma regra do regimento interno e que os demais condôminos não aprovariam. Essa é a parte da má vontade a que me refiro no título do post, em minha opinião. Ainda devo voltar a insistir no tema com o síndico para tentar a permissão de usar um local da área geral e comum. O ritmo de adoção de veículos elétricos tem crescido nos EUA e Europa. E isso vai acontecer no Brasil. É uma pena que ainda não tenhamos gestores e administradores de condomínio que tenham um mínimo de visão sobre o assunto. No meu caso, não poder carregar meu veículo onde moro poderia ter me feito desistir da compra.

 

 

 

Holanda quer banir motores à combustão

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Um dos motivos que me convenceu a comprar o i3 foi o fato da BMW afirmar, de acordo com os vendedores da concessionária, que em 2030 todos seus veículos serão elétricos.

Se isso é verdade, não sei. Mas a Europa vai, sim, tomar a dianteira na adoção de meios de transportes não-poluentes. Veja abaixo a matéria sobre a Holanda, que quer banir motores à combustão em menos de 10 anos.

Holanda quer banir motores à combustão

O que esperar quando se está esperando?

Pregnant

Caro leitor, ao longo dos próximos meses, pretendo apresentar as alegrias e frustrações de ser um dos pioneiros a utilizar um carro elétrico no Brasil. E o motivo é simples: a falta de informação clara sobre o tema, especialmente num país como o nosso, tão dependente de combustíveis fósseis, e em que a infraestrutura e estímulos necessários para a ampla adoção de veículos elétricos pela sociedade anda a passos de formiga. Mas isso é assunto para outro post.

Enfim, como diria um ex-colega de trabalho: tudo começou quando eu nasci. Ou no caso, no dia 20 de maio (de 2016). Nesse dia eu fiz a TED do sinal para reservar meu BMW i3, primeiro veículo elétrico comercializado no país como qualquer outro veículo.

O título deste post pode sugerir que se trata de uma gravidez. E é quase isso mesmo. Em outubro do ano passado, fiz meu primeiro test drive no modelo. Sensacional!! Me senti numa máquina do tempo, avançando, pelo menos, uma década no futuro. Silencioso, ágil, cheio de mimos tecnológicos, a começar pelos materiais utilizados no carro, como fibra de carbono, alumínio e fibras recicladas, o i3 era um veículo que tinha tudo: estilo, atitude e apelo ecológico. Só não tinha algo fundamental: o preço.

R$ 230 mil era o preço cobrado pela versão mais completa. A mais simples, R$ 209 mil. E, ao Brasil, a BMW só destinou veículos do modelo Rex (range extender), que vêm com um pequeno motor bicilíndrico de 600cc, utilizado em scooters da marca, cuja única função é servir de motor estacionário para gerar energia para as baterias do i3. O módulo Rex garante uma extensão de autonomia de mais uns 130 a 140Km (dados da fábrica) e é acionado automaticamente quando a bateria atinge 25% de sua capacidade.

Mas, R$ 230 mil?!? Falei para o Flávio, product genius da concessionária Autostar, que me acompanhou no test drive: “Quando o preço chegar nos R$ 160 mil, eu compro”.

Cuidado com o que você deseja. No final do outubro, o governo federal reduziu o imposto sobre carros elétricos. A alíquota caiu de 27,5% para algo entre 0% e 7% de acordo com alguns critérios. Apesar disso, só em abril tomei conhecimento de um esforço da BMW em reduzir os preços do i3. Não apenas devido à redução de imposto, mas porque a montadora tinha (e ainda tem) um estoque “micando” de modelos i3 2014/2015. E vem novidades na próxima versão, como baterias de maior autonomia. Então, a ordem é desovar os i3 “velhos”. E os preços caíram para R$ 169.500 e 179.500, respectivamente, as versões mais simples e a full.

A Autostar, em abril, fez um evento muito bacana para gerar uma experiência tecnológica tendo o i3 como ponto focal. Chamou a Samsung para apresentar o Galaxy S7 com aqueles óculos de realidade virtual (que são incríveis, diga-se de passagem), um chef que preparou deliciosas comidinhas e sobremesas, e agendou um dia inteiro de test drive do veículo. Como todo homem casado sabe, ainda que você tome a decisão de comprar um carro de R$ 180 mil sozinho, se não tiver o aval de sua mulher, será como o governo interino do Temer: acusado de golpista e com direito a muita reclamação pelo resto do mandato. No meu caso, pelo tempo em que tiver o carro. E lá fui eu com mulher e filha para participar da experiência. Com todo o ambiente propício a uma boa impressão, e delegando a função de testar o carro à minha mulher, o resultado foi o óbvio: a patroa apaixonou-se pelo carro. Até estaciona sozinho, algo que tem muito valor para mulheres (por que será?!?).

A esta altura do campeonato, eu já havia coletado informações para me ajudar a convencê-la sobre a compra, como: os postos de recarga disponíveis em São Paulo (aliás, um do outro lado da rua onde ela trabalha e a duas quadras do meu trabalho, no Shopping Vila Olímpia), o custo do km rodado (R$ 1 para rodar 28 km), a pretensa autonomia de continuar rodando com o carro enquanto permanecer abastecendo o pequeno tanque de 9 litros do Rex, a promessa de que vou ficar com esse carro por anos a fio, e por aí vai.

A idéia inicial era vender a Pajero TR4, 37 mil Km, única dona, 4×4, completa, central multimídia, câmera d…. ops. Pára tudo. Não vamos vendê-la. A diferença seria muito grande para se pagar num i3. Minha 320 GT, 2014/2015 – ESPETACULAR – foi para o sacrifício em prol de um bem maior (sustentabilidade, estilo, exclusividade ou porralouquice. Chame do que quiser). E, nesse caso, a diferença foi beeeeem menor.

“- Fabio, vê aí um valor bom na avaliação da minha GT que eu fecho com você. Veja: já consegui tal valor na Osten. E eles nem viram o carro”.

E lá vai meu fiel vendedor, já mais amigo do que vendedor, e há algum tempo cliente, Fabio, buscar a melhor negociação possível. Desde os seus tempos de Agulhas Negras, concessionária BMW, nós nos conhecemos. E eu disse que um dia compraria uma BMW dele. Essa é a segunda.

E ele conseguiu melhorar a valor. Cheguei a colocar o cartão de débito na maquininha para dar o sinal da reserva. Mas, na hora de digitar a senha, travei: o valor ainda era R$ 3 mil a menos do que eu tinha me comprometido com minha mulher. Retirei o cartão e lhe disse que não dava. Precisava cumprir o prometido. Eu acredito que o Fabio sentiu um misto de frustração e ímpeto de me assassinar com requintes de crueldade. Por sorte, seu profissionalismo o fez manter a (minha) integridade. Isso foi na quarta-feira, 18 de maio. No dia seguinte, eu viajaria ao Rio de Janeiro e voltaria só na sexta-feira à noite. “- Fabio, me liga se conseguir chegar no valor”.

Viajei ao Rio. Quinta-feira…e nada do Fabio. Sexta-feira, próximo ao almoço, recebo a ligação fatídica: “-Consegui!”. De fato, o “deságio” da avaliação em relação à tabela FIPE era muito aceitável: 8%. Promessa é dívida. “Me f…”, pensei eu. Mas, assim que voltei do almoço, fiz a TED do sinal e mandei o comprovante para o Fabio. Acho que se não fizesse isso, se não cumprisse a promessa, minha integridade correria sérios riscos.

Na segunda-feira seguinte, levo a 320 GT para fazer um laudo na concessionária. Passa com louvor, claro. Trâmites de venda do meu veículo concluídos, estou na espera da BMW enviar o boleto da diferença a pagar pelo i3, o que deve ser feito hoje, para que eu possa, enfim, receber o carro em mais uma semana completando um ciclo de gravidez de aproximadamente 9 meses desde o primeiro test drive. Os próximos dias serão como os da mulher que, no final da gestação, fica à espera para entrar em trabalho de parto em qualquer dia, a qualquer momento.

Mas, uma de minhas esperas, entretanto, não terminou: há cerca de duas semanas, antes de fechar a compra do i3, já havia contatado o síndico do prédio onde moro e os administradores dos locais onde eu e minha mulher trabalhamos. O objetivo era solicitar a permissão para instalar um carregador de parede, mais rápido do que o carregador que se utiliza na tomada comum (mas de 20A, com pinos de diâmetro maior). Esse assunto ainda está em andamento. E será tema de outro post.E, pelo jeito, talvez uma das minhas primeiras frustrações.

 

PS: Duas horas depois de fazer o posto, a BMW me mandou o boleto para pagamento.  🙂