Mobilidade elétrica levada a sério….na Colômbia

Na primeira reunião do grupo de trabalho sobre Eletromobilidade do Rota 2030, promovido e coordenado pelo MDIC – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – cada entidade participante teve a oportunidade de apresentar sua visão sobre as oportunidades e os desafios.

Tive o privilégio de falar em nome da ABRAVEI e uma das coisas que pontuei é que o Brasil precisava dar atenção e presteza à mobilidade elétrica ou outro país sulamericano assumiria o protagonismo em relação a esse tema no continente. O que eu disse foi pensando na Argentina, que havia divulgado a recente isenção de impostos para veículos elétricos. Mas, creio que temos outro player surgindo para tomar a posição de destaque que tinha tudo para ser do Brasil: a Colômbia.

Um dos colegas do grupo de trabalho, o Luiz, trabalha na Renault. E na semana passada esteve na Colômbia para homologar as estações de recarga para uso dos veículos da marca. E, vejam só: na Colômbia o Renault Twizy custa o equivalente a R$ 40 mil e o recém lançado ZOE, já com a bateria com autonomia entre 300 e 400 Km, deverá custar algo em torno de R$ 143 mil. O preço desse veículo em Portugal parte de pouco mais de 34 mil euros que, na cotação de hoje, equivale a pouco mais de R$ 133 mil. Isso, claro, sem qualquer incentivo do governo português. O preço é apenas para mostrar que a política da Colômbia prevê nada ou pouquíssimo imposto sobre os veículos elétricos, pois o preço de venda é praticamente o mesmo da Europa.

Além da questão dos tributos, a Colômbia está investindo em infraestrutura de recarga de maneira inteligente e organizada. A EPM – Empresa Pública de Medellin – instalou 15 eletropostos públicos de 22kW  com plugue tipo 2 (europeu) que podem ser utilizados mediante um cartão de usuário. E o custo da recarga será pago pelo usuário em sua conta de energia elétrica residencial. A EPM também instalou diversos carregadores de 7,4kW com plugue tipo 1 (americano e japonês).

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Eletroposto na rua com carregadores de 22kW e 7,4kW. Clique na foto e assista ao vídeo.

A 10 minutos da estação acima, já se encontra outra. Também mantida pela EPM, essa estação fica num posto de combustível de bandeira Esso e possui carga rápida nos padrões CCS (com plugue tipo 2), CHAdeMO e carga semi-rápida em corrente alternada com plugue tipo 2.

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Eletroposto de carga rápida num posto de combustível da bandeira Esso. Fica há 10 minutos do outro eletroposto. Cliquena foto e veja o vídeo

E, aqui abaixo, mais um eletroposto com dois carregados com 2 tomadas cada um. Um de 22kW com plugue tipo 2 e outro de 7,4kW com plugue tipo 1.

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Carregador em estacionamento de supermercado. #inveja #somostodosColômbia.  🙂

E a coisa não pára por aí. Medellin tem estações de recarga também para bicicletas. Afinal, mobilidade elétrica não é só sobre quatro rodas. E nem precisa ser cara. As fotos abaixo são de eletropostos no Centro Comercial Oviedo. E, embora o carregador que está avulso indique 7,2kW, ele foi atualizado para 11kW. E tem carregador para o pequenino Renault Twizy também, além de tomadas para as bicicletas.

Acha que acabou? Senta que vem mais. Até mesmo a Localiza possui carro elétrico na sua frota para locação. No caso, o Renault Zoe.

 E o Brasil? Aqui a tão esperada redução do IPI para carros elétricos, que deve cair dos atuais 25% para cerca de 7%, era esperada para janeiro, depois fevereiro, depois março, depois….. Depois?!? Depois que ficarmos na lanterna deste mercado na América Latina, não adianta chorar. Independente da conclusão e publicação do programa Rota 2030, a redução do IPI para veículos elétricos deve ser feita JÁ! Ninguém em sã consciência vai investir no segmento de veículos elétricos, de montadoras a importadores independentes, passando por empresas com interesse em montar infraestrutura de recarga, se não houver a definição da nova tributação. Em 2015, o Brasil já perdeu para a Colômbia no futebol. Em 2018, estamos tomando uma goleada da Colômbia no que se refere à eletromobilidade.

Quem tem medo do carro elétrico?

O grito

O Brasil sofre de um problema crônico, um mal terrível que o mantém sempre estagnado e com eterno status de “país do futuro”. Mas o futuro nunca chega e, se continuarmos assim, nunca chegará. O mal é a imposição dos interesses de alguns segmentos do mercado – e sua gigantesca capacidade de lobby junto ao governo – sobre os interesses do país.

Segundo Tarcísio Vieira, “se a lâmpada tivesse sido inventada no Brasil, teria sido proibida pelo lobby dos fabricantes de vela”. E, por mais tragicômico que essa frase possa parecer, a probabilidade disso acontecer seria muito grande.

Voltando ao tema deste texto, veículos elétricos em geral, e carros elétricos em particular, já são uma realidade mundial. O número de carros elétricos cresce ano a ano, apesar de ainda ser insignificante frente ao total de carros com motores à combustão. Em 2017, atingiu-se a marca de 2 milhões de carros elétricos no mundo. Mas, apenas no Brasil, existem cerca de 43 milhões de carros à combustão.

Por ser uma nova tecnologia, os carros elétricos ainda são caros em comparação aos carros convencionais. A tendência é que o aumento da produção traga economia de escala e redução do preço de venda. E isso se os fornecedores de matéria-prima para fabricação das baterias não resolverem comportar-se como a OPEP no passado e subirem os preços de maneira abusiva. Logo, apesar do volume de carros elétricos crescer ano após ano, é utópico acreditar que, no Brasil, a adoção deste tipo de tecnologia seja algo avassalador no curto prazo, já que além do preço elevado, há uma mudança cultural por parte do consumidor e todas as incertezas ligadas a esse novo tipo de veículo, como preço de revenda, infraestrutura de recarga, peças de reposição e manutenção especializada.

Apesar do improvável arrebatamento do carro elétrico no país, setores como o sucroalcoleiro e, até, das montadoras de veículos parecem apavorados, pois dão declarações públicas contrárias a qualquer tipo de incentivo fiscal para os carros puramente elétricos. Pior: atribuem ao etanol a melhor alternativa para que o país reduza suas emissões de CO2, seja em carros flex ou híbridos convencionais (sem autonomia exclusivamente elétrica) com motores convencionais baseados nesse combustível. Evidentemente, levantar a bandeira do etanol é algo extremamente calhorda, pois o Brasil é um dos líderes mundiais na produção desse combustível e isso desperta um sentimento análogo ao do “Petróleo é nosso”, pois o etanol é nosso, realmente.

Mas, por trás desse posicionamento, o que se esconde é o jogo de interesses, o ato de puxar a brasa para suas respectivas sardinhas. Enquanto o setor sucroalcoleiro não quer nem vislumbrar a possibilidade de ter algum tipo de concorrência em fornecimento de energia para a mobilidade veicular, o das montadoras quer atrasar o máximo possível a necessidade de investimento nas fábricas já instaladas no país, ou até em novas unidades de produção, e em toda cadeia produtiva para que possam estar aptas a fabricar carros elétricos.

Vamos nos debruçar sobre a questão do etanol, então. De fato, o uso do etanol como combustível promove uma emissão de CO2 e materiais particulados menor do que o uso da gasolina. Mas, nem de longe, a monocultura é algo ecologicamente correto. E, pior, ao longo de nossa história já vivemos diversos momentos em que o setor sucroalcoleiro alternou entre produção de álcool e açúcar, conforme o produto final que lhe trouxesse mais receita. Quem tem mais de 40 anos já viu o álcool sumir das bombas dos postos de combustível várias vezes. E, mesmo hoje em dia, são raros os momentos em que uso do álcool é financeiramente mais interessante do que a gasolina para quem abastece seu carro.

Além disso, quem defende o etanol em detrimento do carro elétrico, esquece de mencionar que carros elétricos incentivam fortemente a microgeração distribuída de energia, principalmente, com a implantação de usinas solares fotovoltaicas nas residências ou empresas dos usuários dos carros. Tenho diversos amigos que geram sua própria energia elétrica, inclusive para seus veículos elétricos. E, eu mesmo, estou em vias de implantar uma usina solar de 149 kWp no condomínio onde moro. Vivemos num país com um dos maiores potenciais de geração de energia solar do mundo. Se a recessão pela qual o país está passando não tivesse ocorrido, e mantivéssemos o nível de crescimento da década passada, viveríamos novos apagões. Logo, o estímulo natural à microgeração distribuída desafoga a matriz energética do Brasil e é 100% sustentável.

Agora, vamos olhar o lado das montadoras. Em 2017, o Brasil aumentou em quase 50% o volume de exportação de veículos. E a ANFAVEA quer ampliar mercados, prioritariamente exportando para outros países da América Latina e, em um segundo momento, para África e Oriente Médio. O “segundo momento” vai acontecer quando os países desenvolvidos banirem os veículos à combustão, como França, Alemanha, Inglaterra, entre outros, já estão fazendo. Eles despejarão suas tecnologias banidas e ultrapassadas no Brasil, que passará a fabricar veículos que, de fato, só poderão ser aceitos em lugares como Oriente Médio e África, em que não existem restrições de emissões. Mesmo na América Latina, nossa condição protagonista na exportação de veículos pode ser afetada se não nos prepararmos para a produção e desenvolvimento de tecnologia de carros elétricos. Há dinheiro em cima da mesa e, se o Brasil não pegá-lo, alguém o fará. Queremos ser um país que produzirá veículos que o mercado europeu, e parte do americano, não mais aceitarão? Ou queremos estar na vanguarda da tecnologia?

Colocar o etanol como alternativa ao carro elétrico, lembrando que são tecnologias que podem e devem coexistir, atende, então, aos interesses de ambos setores: montadoras de veículos e usinas de álcool. Afinal, motores à combustão, mesmo em carros híbridos convencionais, exigem menos adaptação e investimento da indústria automotiva e continuarão garantindo uma boa receita às usinas. Mas carros híbridos convencionais, excluindo-se sempre os híbridos plug-in, são apenas carros mais econômicos. Mas que sempre consomem combustível e emitem gases de efeito estufa. Híbridos convencionais não são transição para elétricos, pois não trazem mudança de hábito do consumidor como, por exemplo, ter de carregar seu carro em tomadas ou eletropostos. Híbridos convencionais são, no máximo, uma transição para a indústria ou um pretexto para adiar investimentos mais expressivos em suas linhas de produção e na cadeira de fornecedores.

Vale a pena destacar que nosso país tem, pelo menos, dois polos de desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias promissoras para aquele que se desenha como o eventual gargalo na produção de carros elétricos: baterias de íons de lítio. No caso, temos um centro de pesquisa de baterias de sódio (sal) em Itaipu e, em São Paulo, a Universidade Mackenzie desenvolve pesquisa com baterias de grafeno (carbono). Ambas são matérias-primas abundantes e recicláveis.

Assim, no Brasil, temos uma equação que o carro elétrico vem acompanhado da alavancagem da microgeração de energia elétrica, de desenvolvimento de novas tecnologias em baterias que poderemos vir a exportar no futuro, de redução drástica na conta de combustível, do incentivo a um novo mercado de peças e mão-de-obra e da manutenção do lugar de destaque do país na produção e exportação de veículos, desta vez com tecnologia de ponta. Todos aspectos extremamente positivos para o país, sem que isso acabe com o mercado sucroalcoleiro, sem que isso impacte significativamente as vendas dos carros à combustão mas, sim, criando condições para que nosso país possa, enfim, ser o país do futuro em termos de mobilidade elétrica. Não há porque temer o carro elétrico, principalmente se esse medo pode paralisar o país e condená-lo a estar sempre na rabeira da tecnologia, condená-lo a ter uma economia frágil e fortemente baseada em commodities.

Enfim, a mobilidade elétrica estréia na Vênus Platinada

Como disse no post anterior, a expectativa da matéria sobre mobilidade elétrica do programa Auto Esporte ir ao ar era no mês de novembro. Afinal, em outubro, tudo já havia sido gravado pela equipe da produção. Mas, por não ser um assunto “datado”, a matéria só foi ao ar no dia 10 de dezembro do ano passado. Confira aqui.

Mobilidade elétrica na TV Globo

Com a cobertura e audiência do único programa automotivo da Rede Globo, maior emissora de TV aberta do país, nossa expectativa entre os associados da ABRAVEI e entusiastas sobre mobilidade elétrica em geral, era ENORME. Mas, ao assistirmos a matéria, de exatos 2 minutos e 23 segundos, o sentimento foi de frustração.

O Rafael, produtor do programa, me avisou pelo WhatsAPP antes da matéria ir ao aro que ela ficou curta, infelizmente, pela extensa pauta. Senti um frio na espinha, pois isso era uma maneira educada de dizer que não atenderia nossas expectativas. Bingo! Sem dúvida, aparecer na TV é algo que nos envaidece. Mas, esse não é nosso objetivo ao participar de matérias sobre o tema e, ao terminar de assistir o programa, caso você, leitor, ainda não o tenha feito, vai sentir a mesma coisa e se perguntar: “O quê? Só isso?”. No nosso grupo de WhatsAPP, os vários comentários  eram, incialmente, contidos, com elogios aos personagens, incluindo o Leo-Zero (assista e descubra o porquê), até o momento em que começaram as manifestações da frustração. Isso até alguém mais atento comentar que viu um tal “Capítulo 1” na imagem de abertura da matéria. Você reparou na imagem acima? Eu não tinha reparado no dia em que foi ao ar.

Na semana seguinte, eis que a outra parte da matéria vai ao ar. Mesmo sem ostentar um “Capítulo 2” (erro de continuidade, produção?), a matéria contou com mais de 5 minutos. E ficou DUCA..LHO.!! Confira aqui e veja que não é exagero de minha parte.

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Desta a vez, toda a expectativa que tivemos sobre a abordagem do tema Mobilidade Elétrica foi atingida. Obstáculos, benefícios, o “efeito colateral” extremamente positivo da microgeração de energia, veiculos elétricos de duas rodas. Tudo foi falado, ainda que no ritmo de um programa que é curto, mas dando o recado necessário. Pra ser sincero, esperava um pouco de espaço para a ABRAVEi. Mas, como disse antes, o objetivo não é massagear nosso ego pessoal ou da associação e, sim, contribuirmos para a divulgação da mobilidade elétrica e sua disseminação no país.

Ao pessoal da produção do programa Auto Esporte, em especial ao Rafael, meus sinceros agradecimentos. Tenho convicção de que milhares de brasileiros enxergam os veículos elétricos com outros olhos e isso ajudará muito a tornar a mobilidade elétrica uma realidade mais presente e expressiva em nosso país.

Veículos elétricos cada vez mais presentes na mídia

Há cerca de um ano e meio comprei meu BMW i3. Na época, já se falava muito em carro elétrico no mundo. E pouquíssimo no Brasil. Após esses 18 meses, no entanto, veículos elétricos em geral, e carros elétricos em particular, são objeto de reportagens e matérias diárias em países da Europa e Estados Unidos. E se tornaram cada vez mais presentes na pauta da mídia nacional também.

Durante o 13º Salão Latino-Americano de Veículos Híbridos-Elétricos, realizado na segunda quinzena de setembro, além da cobertura feita por diversos portais de conteúdo, revistas e jornais, a rede Bandeirante fez uma breve matéria sobre o assunto que foi ao ar no seu jornal noturno. No destaque, nosso colega Ricardo, um dos brasileiros que reservaram o Tesla Model 3, depositando não apenas U$ 1 mil na conta do Mr. Elon Musk mas, também, depositando a esperança de contribuir para que a mobilidade elétrica seja uma realidade no nosso país. Faço parte dessas poucas centenas de brasileiros que reservaram seu Model 3. Nem sei se vou ter dinheiro para comprá-lo quando, finalmente, chegar ao nosso país. Mas queria ajudar de alguma maneira e, se não puder comprar, recebo de volta o dinheiro da antecipação. Para assistir à matéria, basta clicar na imagem abaixo.

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Matéria da Rede Band. Veículos elétricos estão cada vez mais presentes na mídia.

Após a Bandeirante abordar veículos elétricos, no mês seguinte o programa AutoEsporte, da rede Globo, também colocou os veículos elétricos na pauta. Desta vez, pelas informações que recebi da produção do programa, a idéia era dar foco na sustentabilidade, auto-suficiência e economia. Como já havia participado de outra matéria sobre manutenção programada pelo próprio veículo, no ano passado, me disseram que não poderia participar dessa. Mas, nossos presidente e secretário da ABRAVEI, respectivamente, Edgar e Leonardo, seriam personagens perfeitos para a matéria. O Edgar, pelas contas na ponta do lápis sobre a economia do elétrico versus convencional; e o Leonardo, por ser  auto-suficiente em geração de energia, já que possui usina solar fotovoltáica na sua residência capaz não apenas de abastecer seu carro mas, também, toda demanda doméstica.

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Em primeiro plano, Edgar e seu i3. Atrás, o piloto César Urnhani, do AutoEsporte, preparando para carregar um BYD no eletroposto do Graal do km 56 da Rodovia dos Bandeirantes.

Apesar de não aparecer na matéria, ajudei a produção do programa a identificar que alguns veículos elétricos que haviam conseguido para ilustrá-la, no caso um Fiat 500e e um Kia Soul BEV, não eram compatíveis com a maioria das estações de recarga disponíveis na cidade de São Paulo. Isso porque usavam o padrão norte-americano para cargas de corrente alternada e o que temos no Brasil é o padrão europeu. E, assim, indiquei a Neo Solar, empresa que vende carregadores para carros elétricos e, também, um cabo adaptador que permite que o padrão americano seja conectado ao padrão europeu.

Fiquei muito satisfeito por ter ajudado e, também, por termos mais porta-vozes falando sobre mobilidade elétrica num programa de tanta audiência como o AutoEsporte. E a previsão do Andy Warhol, sobre os 15 minutos de fama, se confirmava com meus colegas abraveianos. No entanto, não é que a produção do AutoEsporte me procurou de novo? Agora, a idéia era que eu falasse sobre a ABRAVEI e o que nos motivou a criar a associação. E isso a bordo do meu i3. Combinamos cedinho no estacionamento do Shopping Vila Olímpia, que conta com uma vaga para carros elétricos com Wallbox (carregador semi-rápido da BMW) no Vallet. Pra minha sorte, esse shopping fica a duas quadras de distância da Dinamize, empresa em que trabalho, o que não atrapalharia minha rotina profissional.

Chegamos – eu e a produção do programa – no horário combinado. E, surpresa: eles tinham levado o Fiat 500e. Prepararam meu carro, instalando duas câmeras dentro dele, fizeram tomadas dele sendo carregado e, então, partimos para umas voltas no entorno do shopping.

O produtor fazia perguntas, mas não aparecia. E eu ia respondendo, um olho no trânsito e outro no produtor…. epa. Não pode olhar pro produtor e nem para a câmera. Gravemos novamente.  😉

A van da produção do programa ia à frente, fazendo tomadas externas do veículo em movimento. E, com um rádio HT, me davam as orientações: “- Ultrapassa pela direita, fica atrás a uns 2 metros, vira aqui, vira ali, mais uma vez…”. E deu tudo certo. Sugeri ao produtor que ele perguntasse se carro elétrico era coisa para quem tem dinheiro. O objetivo era encaixar a frase sensacional, cunhada pelo colega Leonardo, de que “carro elétrico é coisa de pobre”, por economizar horrores no custo do combustível e na manutenção. E assim foi feito. Se vai sair na matéria, não sei. Afinal, o programa é relativamente curto e, então, é comum que a maioria do conteúdo gravado seja cortado na edição. É mais ou menos assim: grava-se duas horas para sair 2 minutos. Tomara que os dois minutos sejam os nossos melhores.  🙂

De volta ao estacionamento do shopping para que a produção desarmasse o “circo” todo, não resisti: pedi para dar uma volta no 500e. Ali mesmo, no estacionamento. E deixaram. E que legal: o 500e arranca como um foguete. Mesma sensação de arrancada que tenho no i3. E é muito bom de dirigir: direção leve, arrancada e retomada vigorosas, bom raio de curva. Só estranhei que, ao selecionar D ou R, o carro já anda sem pisar no acelerador,  semelhante a um carro à combustão com câmbio automático. No caso do i3, o carro não anda, mesmo “engatado”, se o motorista não pisar no acelerador.

A matéria do AutoEsporte deve ir ao ar ainda em novembro, provavelmente na segunda quinzena. Mas, por não ser uma matéria com “data de validade”, é possível que seja exibida mais adiante. Tudo depende das pautas que surgirem até lá. Aguardo ansioso. Essa vai pro baú e, daqui a uns 30 anos, orgulhosamente mostrarei aos meus netinhos.

Moldando a mobilidade elétrica no Brasil

Rodrigo Almeida - Fórum Brasil-Alemanha de Mobilidade Elétrica 3
Tendo o privilégio de fazer a abertura do Fórum Brasil-Alemanha de Mobilidade Elétrica.

Nos meus 45 anos de vida, nunca vivi uma situação em que poderia ajudar a definir as diretrizes de uma onda avassaladora que trará grandes impactos ao dia-a-dia da sociedade. Até agora.

A onda chama-se mobilidade elétrica. E ela veio pra ficar. Aliás, nem veio ainda ao nosso país. Mas já dá para avistá-la ao longe: um tsunami chegando a quilômetros de distância. E ele é inexorável.

Estes últimos meses foram recheados de gratas surpresas para a ABRAVEI e, de carona, para mim: fomos convidados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) para integrar o GT-7, grupo de trabalho sobre eletromobilidade do programa Rota 2030. Para ter uma idéia, além da ABRAVEI, que é a única entidade que representa os consumidores e usuários da tecnologia, fazem parte do GT-7, também, as seguintes entidades e organizações: Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Agência Brasileira De Desenvolvimento Industrial (ABDI), Associação Brasileira de Baterias Automotivas e Industriais (ABRABAT), Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (ABEIFA), Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Associação Brasileira Do Veículo Elétrico (ABVE), Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), BNDES, BYD, Confederação Nacional dos Metalúrgicos / CUT, CPFL Energia, Eletra, INMETRO, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC), Ministério de Minas e Energia (MME), Sindipeças, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, WEG e o próprio MDIC.

Cabe ao GT-7 definir as diretrizes e política governamental de longo prazo para a mobilidade elétrica no Brasil. Trata-se de uma grande responsabilidade e de um enorme privilégio poder fazer parte disso tudo mais diretamente, junto com outros colegas da ABRAVEI como o Rogério e o Duda.

Vale lembrar que a ABRAVEI está prestes a completar apenas 6 meses de existência. E, além da participação no GT-7 do MDIC, fomos convidados para participar do Fórum Brasil-Alemanha de Mobilidade Elétrica, promovido pelo PROMOB-e nos dias 17 e 18 de outubro. O PROMOB-e “é um projeto de cooperação técnica executado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) em parceria com o Ministério Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ,) por meio da agência alemã de cooperação internacional Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, no âmbito da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável. O projeto iniciou suas atividades em 2017, com previsão de encerramento em 2020.”

O evento proporcionou um excelente networking com representantes de diversas empresas e entidades que estão diretamente ligadas à mobilidade elétrica do país. E, como se tratava de um evento sobre mobilidade elétrica, ofereci – e foi prontamente aceito – deixar meu carro em exposição no espaço reservado à feira de boas práticas promovida pela organização do evento. Esse espaço contou, inclusive, com um estande da ABRAVEI, além de estandes da CPFL, Siemens,  UFSC, Bosch, MOBQI e Itaipu Binacional. Creio que, a médio prazo, colheremos grandes frutos oriundos dos contatos feitos no evento.

Como se já não estivesse tudo muito bom, por intermédio do amigo e ex-(e futuro)-proprietário de um carro elétrico, Silvio, que trabalha na área de inovação do Santander, tivemos uma reunião com seus colegas da área de Sustentabilidade do banco.

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Da esquerda pra direita, eu, Nasser, Silvio e Fabiano. E, ao fundo, o personagem principal: o carro elétrico.

Como o Santander tem um posicionamento de apoiar iniciativas sustentáveis, esta primeira conversa teve como objetivo a troca de idéias e experiências que, se tudo der certo, podem culminar numa linha de produtos do banco que ajude a tornar os veículos elétricos uma opção financeiramente viável para quem tem condições de comprar um carro convencional. Nossa reunião começou, inclusive, com uma carona no meu i3 para que todos pudessem vivenciar, na prática, como é andar num veículo elétrico. Silvio, Nasser e Fabiano, meu muito obrigado pela atenção e tempo despendidos.

E termino dizendo que atuei de cupido elétrico. Ao assistir uma apresentação do mestre René De Paula  Jr., figura de destaque no marketing digital e Internet no país, conversamos sobre carro elétrico. E ele me perguntou se conhecia alguém que estivesse vendendo um. Era o caso do Silvio. E…bingo. A Gláucia, esposa do Renê, tornou-se a mais nova proprietária de um carro elétrico e integrante deste hospício chamado ABRAVEI.

 

ABRAVEi no 13º SalãoLatino-Americano de Veículos Híbridos-elétricos

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VE Experience: espaço para troca de informações e experiências dos associados da ABRAVEi com o público em geral.

Nos dias 21, 22 e 23 de setembro, aconteceu no pavilhão amarelo do Expo Center Norte o 13º SalãoLatino-Americano de Veículos Híbridos-elétricos, Componentes e Novas Tecnologias. E, a ABRAVEi esteve presente.

O salão, maior evento de eletromobilidade do país, já virou tradição. E, este ano, a MES Eventos, organizadora, cedeu um espaço gratuito à ABRAVEi para promover a troca de informações e experiências com o público, batizado de VE Experience.

Infelizmente, só puder participar de um dia do evento, mas nossa equipe abraveiana contou com a participação do Edgar, Leonardo, Michelli e Rogério, que veio de Brasília. E, também, com a presença de ilustres convidados que realizaram palestras memoráveis, como o consultor Luiz Roberto Imparato, o professor Wanderlei Marinho da Silva e o Elifas Gurgel, outro que veio de Brasília para falar sobre conversão de veículos elétricos. O Elifas converteu brilhantemente um Gol em veículo elétrico e é referência no assunto.

Uma das atividades realizadas pelo nosso grupo no VE Experience, foi o test ride: uma carona indoor esclarecedora em um carro elétrico, recheada de informação sobre como é o dia-a-dia de um proprietário e early adopter dessa tecnologia. Confira abaixo algumas fotos do evento.

Como nem tudo são flores, no caminho do salão havia um buraco. Havia um buraco no caminho. E….dois pneus com bolha, sendo que um chegou a rasgar. São Paulo, terra da garoa e de ruas que mais parecem um queijo suíço.  😦  E dá-lhe vulcanizar os dois pneus. Já é quarta vez que isso acontece, pois os pneus do i3 são feitos para pisos decentes, coisa rara na capital paulista, infelizmente.

BYD doa carros à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo

E, pra variar, nós da ABRAVEi estávamos presente.

 

Quarta-feira, 6 de setembro, 6h35min. Como já tinha acordado e desligado o modo “não perturbe” do meu celular, o primeiro alerta do WhatsAPP foi do Caputo, da BYD. Dizia o seguinte:

CASO ALGUÉM TENHA INTERESSE:
HOJE IREMOS ENTREGAR OS CARROS PARA A GUARDA CIVIL DE SP
NA PREFEITURA
VIADUTO DO CHÁ No 9
Será às 9:30 da manhã na frente do prédio com a presença do prefeito.
Caso alguém for me chame no cel ok?
Obrigado a todos

Após tomar meu café-da-manhã e olhar a agenda, vi que teria uma reunião na Zona Leste e a prefeitura estava no caminho. Eu vou! E o Edgar, nosso presidente da ABRAVEi, também confirmou que iria.

Como as novas camisetas da ABRAVEi tinham ficado prontas, seria uma boa oportunidade para estreá-las. Aliás, as camisetas são feitas de fibra de PET reciclável e algodão. Mobilidade elétrica E sustentável, certo?

Chegamos antes mesmo do Caputo e conhecemos o Marcello e outras pessoas da BYD. Aliás, em cada ocasião em que eu e a BYD estamos presentes, conheço novos colaboradores da empresa. Mas uma figura parece ser onipresente e onisciente: o Caputo. Aliás, cadê ele?!? Até o vereador Salomão Pereira, que conheci no dia, também perguntou pelo Caputo. Acho que ele deveria considerar lançar-se como candidato a vereador na próxima eleição.

Chegou o Caputo. E fomos juntos a uma sala da prefeitura para a coletiva de imprensa. A mesa era composta por secretários municipais, oficiais da GCM – Guarda Civil Metropolitana, BYD e, claro, o prefeito. Como o Dória é muito conciso e competente em seus discursos, apresentou a parceria entre a BYD e a prefeitura e, em pouco tempo estava posando para entrega simbólica da chave de um dos carros, feita pelo Marcello da BYD. A parceria, por sinal, compreende a doação de 4 carros (dois sedans e5 e duas vans – pois não consigo chamar de SUV – e6). Nesta ocasião, foram entregues um e5 e um e6 com 300km e 400 km de autonomia, respectivamente. Serão utilizados no patrulhamento do centro da cidade e do parque Ibirapuera.

Prefeito

Quando o prefeito chegou, em uma breve oportunidade, pedi para tirarmos uma foto. E ele respondeu que faríamos isso assim que terminasse a coletiva de imprensa. Porém, logo que ela terminou, uma pessoa do cerimonial disse que as fotos seriam tiradas em frente à prefeitura. Nesse momento, me aproximei do prefeito e pedi para ter um pitch de 30 segundos, ao que ele consentiu.

“PrefeitosomosdaABRAVEiaassociaçãodosproprietáriosdeveículoselétricostemosalgumasidéiasquepodemincentivarademandaporveículoselétricossemquehajarenúnciafiscalequeremossabercomquempodemosfalarnaprefeitura”

Isso aí é para ter noção de como consegui encaixar tudo que queria falar em 30 segundos.  🙂 E ele nos recomendou falar com o Secretário de Transportes além de, gentilmente, quebrar a orientação do cerimonial e tirar uma foto comigo e o Edgar lá mesmo na sala de imprensa.

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Entre Edgar e eu será que está nosso futuro presidente?!?

A única coisa de que me arrependi foi não ter dito a ele que já estamos em contato com o assessor do secretário de transportes há uns três meses. Tentando, sem sucesso, marcar uma audiência com o secretário ou alguém da sua equipe para discutir uma pauta bem recheada de assuntos que já lhe foi encaminhada, inclusive. Cheguei, até, a mandar para esse assessor a foto acima dizendo que o “prefeito mandou falar com o secretário”. Isso tudo por WhatsAPP. E o assessor do secretário leu (adoro os tracinhos azuis). Mas tudo continua na mesma.  😦

Aproveitei a presença do novo secretário do Verde e Meio Ambiente para pedir-lhe um contato que pudesse ajudar a esclarecer porque o decreto do ex-prefeito Haddad, que prevê a devolução de 40% do valor do IPVA aos proprietários de carros elétricos e híbridos, não estava sendo cumprido. Obtive o nome e nos próximos dias tentarei falar com o indivíduo. Assim como também vou insistir com o assessor do secretário de transportes para marcarmos a audiência. Em último caso, como tenho o e-mail do próprio secretário, pois já o conheci pessoalmente, estou considerando mandar a foto acima com uma legenda tipo “o chefe mandou um abraço. E pediu pra eu falar com você”. Será que funcionaria?